Descendentes de Ibrahim Nahri

Info. Históricas


2. Marie Ibrahim Nahri

Nas palavras de sua filha com o segundo marido, Genefief, a Marie era uma pessoa muito bondosa que trabalhou muito na vida. Depois da époda da chácara descrita abaixo, ela teve um restaurante na Rua 25 de Março, em São Paulo. A melhor descrição que tenho dela estão nas palavras de Arnaldo Elias como segue:

" Recebi sua carta de 4 de Abril e fiquei muito satisfeito em saber que as minhas referências a respeito da nossa avó Marie te deixaram contente assim como a tua esposa Gislaine e os teus filhos . Teria muito que dizer sobre ela , porque para mim foi uma avó extraordinária que marcou muito minha vida. Merecia muito mais. Foi uma pessoa muito humana em todos os sentidos, que sempre avaliou a sua vida, respeitando os direitos de cada pessoa: filhos, parentes ou amigos e vizinhos.
Citarei um exemplo sobre ela . Quando veio para o Brasil com seu avô Issa, trouxe junto uma empregada de cor muito delicada chamada Maria, que ela tratava como se fosse sua filha e que também só falava Árabe. No sítio onde moravá-mos ela construiu uma cobertura com uma mesa (coxô) com uns três metros de comprimento para as refeições da gurizada . Eu, sua mãe Olga, a Victória, Ivone, Raje, Jorge, Amelia, Salim, todos enfim.
A responsável por essas crianças era justamente a Maria que inclusive nos ensinava o idioma árabe. A meninada fazia as travessuras proprias da sua idade mas alguém mais sensivel que se sentia injustiçado numa reprimenda, corria para se queixar para a vovó Marie que respondia com carinho e firmeza. "Quem educa vocês é a Maria , vá falar com ela" Prestigiava assim aquela moça. Não lhe tirava a autondade e dava-Ihe o respeito devido.
Lembro desse sitio que se localizava na Avenida Celso Garcia, no lado esquerdo passando a Rua Antonio de Barros mais ou menos 50 metros chegando até à divisa do córrego Maranhão, que é na realidade o Rio Aricanduva, que desagua no Rio Tietê, junto ao Clube Corinthians Paulista. Quanta saudade desse bendito sitio . Avaliando as alegrias e tristezas eu diria para você que valeu a pena!
Vivi nele até os 16 anos e as imagens e lembranças dessa época estão comigo até hoje. Quanta coisa aprendi com a minha avó Marie . Para ela a natureza criava os caminhos da vida e isso ela me indicava desde menino mostrando a flora da Terra, a mina d'água jorrando aquela água cristalina que bebiamos, a criação do casulo do bicho da seda , o estrado que eu enchia de folhas de amoreira e me deliciava com as amoras, os caquizeiros repletos do caqui coração de boi e do tipo chocolate que tinha uma semente marrom e as pereiras que ela plantava . Tudo enfim era a vida.
Não existiam geladeiras nesse tempo era tudo rústico e ela então conservava os alimentos à sua maneira e da tradição árabe . Quando abatia um leitão separava a gordura da came derretendo a banha e colocando ainda quente numa lata grande com um pouco de sal, misturando a carne do leitão para uso posterior nas refeições.
Doces que eram feitos, ficavam arrumados nas compoteiras de vidro e eram a delicia da garotada, lembro de um que não comia mais desde que mudamos do sítio. Era feito de beringela pequena da qual se retirava a polpa, (miolo) e se enchia de nozes, amêndoas e avelãs trituradas no liquidificador e misturadas com açúcar. A beringela então era enchida com essa mistura sendo arrumada numa panela, um aperto da outra em pé e coberta de açúcar para fazer calda e ser cozida..."

Conta a Genefief, sua filha, que ela era muito bondosa e queria ajudar a todos. Ela pedia algo e o Assad ia no mercadão e trazia sacos de beringela, vagem, sacos de arroz, etc. Tinha um quarto enorme cheio de mantimentos, tudo saco. A Marie colocava tudo ali dentro e depois dava um pouco para quem precisava sem o Elias saber. Se viesse alguém pedir esmola, ela não pegava dinheiro. Ela dava comida. Genefief disse que a Marie era uma santa.

A Marie quando fazia esfiha, punha cebola e tempero na carne, preparava a massa e mandava o Assad levar para assar na padaria. Ele levava a carne sob as direções dela de tomar cuidado para que não roubassem nem um pouquinho da carne. Ele voltava com aquela bacia cheia de esfihas e eles davam para os empregados. Ela foi influencial na volta do Issa Hiar que havia fugido para a Argentina devido a conflito com o fato de que ela casara novamente. Ela influenciou a atitude do seu filho Assad com relação a seus irmãos do primerio casamento do Assad Feres, ensinando tolerância e paciência. Seu exemplo influencou gerações depois de que morreu e quem a conheceu lembra dela com carinho.


Elias Issa Hiar

O outro nome pelo qual era conhecido, Elias Guiar, eu encontrei no atestado de óbito da sua filha Angelina Elias Abrahão (Jalile Elias Issa Hiar). Não se sabe muito dele, apenas que faleceu mais ou menos na época em que nasceu a Jalile, em 1900. Morreu enquanto trabalhava numa mina de cal, no Líbano. Pode ter sido um acidente ou enfermidade, ninguém pode confirmar.


Assad Feres

O Assad Feres era um árabe de um metro e noventa, que sempre se apresentava usando um chapéu Panamá, bem autoritário e inteligente e respeitado pela colônia síria. Se o nome que o filho, Jamil Assad Feres usa para chamá-lo, isto é, Assad Feres Hiar, estiver correto, ele então era da família do primeiro marido de sua segunda esposa Marie. Mas as famílias são tão distintas e tão separadas que parece difícil que ele tenha tido algum laço familiar com Elias Issa Hiar.

Conta Jamil Assad que a Marie era viúva de três filhos e o Assad viúvo de 4 filhos, quando suas vidas se cruzaram mas não foi até 10 anos depois que nasceu seu segundo filho com Assad Feres que Marie perdeu a primeira filha, Faduad, dos quatro filhos que teve com Elias.

Assad Feres ao morrer deixou tudo para o menino que teve com Marie, Jamil Assad Feres. Ele não deixou nada para os filhos do primeiro casamento nem para a filha Genefief. Assad Feres deixou uma legacia de rancor da parte dos seus filhos do primeiro casamento para com o filho Jamil que perdurou por gerações. A Genefief, apesar de não ter gostado de não ter recebido nada da fortuna do pai sempre teve um bom relacionamento com o Jamil. Assad Feres talvez tenha feito isso pensando na Marie com o menino, que teria que se manter. Os filhos mais velhos tinham suas vidas, mas o menino se tornaria provedor e cuidaria da mãe. Por isso deve ter passado tudo para ele em boa fé. Ele faleceu no Bairro da Penha quando o Jamil Assad Feres tinha 11 anos.